Maternidade

Adaptando nossos filhos à uma nova realidade: escola em tempo integral

Nunca ouviu-se tanto falar em mulheres que largam suas carreiras bem sucedidas para cuidar das “crias”. Sim, eu fui uma delas.

Com uma carreira em ascensão e recém formada em administração de empresas, resolvi parar minha vida profissional para cuidar da minha bebê que tinha acabado de nascer: Isabella. Foi um período bem difícil, pois senti muito a falta de fazer algo que sempre gostei: trabalhar.

Por outro lado, conheci uma nova carreira, onde o trabalho era intenso, cansativo e muito, muito gratificante: de mãe.

Quando a Isabella completou 2 anos voltei a ativa, recuperando o tempo perdido?? Não, simplesmente começando um novo parágrafo na minha vida profissional.

Quase 8 anos depois, os planos de mais um filho estavam prestes a se concretizar e mais uma vez, lá estava eu em minha caminhada profissional, indo de vento em polpa.

Com a chegada da Lívia, tudo mudou novamente e voltei a me dedicar à ela e a Isabella. Mais uma vez um perído difícil, porém prazeroso.

Eis, que um dia, surge uma oportunidade de emprego que me chamou a atenção, ainda mais nos tempos de hoje, ainda mais no país de hoje. Mudei toda minha rotina, minha estrutura e aceitei.

 

Aqui começa nossa história, isso mesmo! Nossa, minha e das meninas, porque a adaptação também foi minha.

Dias angustiada, com o pensamento nas meninas e me perguntando: Fiz o certo? Fui egoista por pensar um pouquinho em mim? Sou uma péssima mãe por deixar minhas filhas na escola o dia inteiro??? E se ficarem doentes? E Se sentirem minha falta? Será que estarão bem cuidadas?

A escolha da escola foi um ponto crucial, a Isabella já estudava lá desde os 2 anos e sei o quando as tias e professoras são carinhosas e dedicadas, de uma uma coisa não me restava dúvidas: elas estariam em boas mãos!

Percebi que não sou uma péssima mãe por fazer algo por mim e que também é por  elas. Sim, ficaram doentes pois estão em contato com mais pessoas do que estariam ficando com a mamãe em casa, sim sentiram minha falta, mas aprenderam que eu estaria aqui quando chegassem da escola.

Os dias foram passando, Isabella adorando ficar com os amigos, apesar de chegar em casa bem mais cansadinha, sempre me diz que está gostando da experiência.

A Lívia aos poucos foi  se encontrando nesse novo mundo que hoje adora. Já segue a rotina de alimentação e soninho que tinha em casa. Está falando mais, está se desenvolvendo mais, está aprendendo a comer sozinha e por ai vai.

Hoje, passados 35 dias, percebo que a adaptação é nossa, das mães, pois somos imensamente cobradas e nos cobramos também. Ainda vivemos em uma sociedade onde a mulher deve se anular pelos filhos, ela não pode ter o direito de escolha, os filhos devem vir sempre em primeiro lugar, e realmente é assim, mas para a sociedade, deixar na escola para trabalhar ou largar o trabalho para cuidar dos filhos, são atitudes questionadas e duramente criticadas.

Nossa adaptação ainda está acontecendo, ainda mais nesse período onde o frio é mais rigoroso e as “ites” estão à solta, mas sei que estamos indo bem, em um caminho onde a felicidade de uma depende da outra.

Adaptar um filho a uma nova realidade não é fácil, mas importante, pois ajuda no crescimento, na responsabilidade, na individualidade e no aprendizado.

 

Se adaptar à uma nova realidade também não é fácil, mas o tempo que passa com seu filho, vale muito mais quando se tem qualidade. Nossas tardes tem sido muito mais alegres, gostosas e cheias de brincadeiras. Faço do lanchinho da tarde, nosso momento, onde conversamos sobre como foi nosso dia e procuro sempre ter um cardápio gostoso e com o que elas mais gostam de comer. Sinto que estou mais cansada, porém mais feliz, pois posso ser e proporcionar muito mais para minhas filhas trabalhando.

O que quero passar para vocês com meu relato ? Simplesmente sigam seus corações, acreditem nos seus desejos e levem em consideração o que vocês acham ser o melhor. Seus filhos serão crianças felizes se tiverem mamães felizes e vice-versa.

Agora me fale da sua experiência. Qual momento está vivendo? De adaptação como mãe cuidando dos filhos em casa, ou adaptando seu filho a uma nova realidade?

Beijos e até a próxima.

 

Por Alessandra Pazin

(@realidadesdamaternidade)